sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

DIA DE REIS


Hoje, dia 6 de Janeiro, é DIA DE REIS, o dia em que se comemora a chegada dos Reis Magos ao Presépio, que ali foram para adorar o Menino, levando-Lhe, como oferendas, ouro, incenso e mirra – assim reza a História. 
 É neste dia que, “oficialmente” se encerram os festejos natalícios. 
À laia de despedida… (das Festas Natalícias) partilho convosco este “presente” que me foi enviado por um querido amigo brasileiro. 
Espero que gostem tanto como eu apreciei. 
 Um feliz 2017 para todos.

EU NÃO GOSTO DE VOCÊ PAPAI NOEL
 Não gosto de você Papai Noel! 
 Também não gosto desse seu papel de vender ilusões à burguesia. Se os garotos humildes da cidade soubessem do seu ódio à humildade jogavam pedras nessa fantasia. 
Você talvez nem se recorde mais! 
Cresci depressa e me tornei rapaz, sem esquecer no entanto o que passou... 
 Fiz um bilhete pedindo um presente, e a noite inteira eu esperei contente... 
 Chegou o sol, e você não chegou. 
 Dias depois meu pobre pai, cansado, trouxe um trenzinho velho, enferrujado, que me entregou com certa hesitação. Fechou os olhos e balbuciou: 
- É pra você. Papai Noel mandou! - E se esquivou, contendo a emoção. 
 Alegre e inocente nesse caso, eu pensei que meu bilhete, com atraso, chegara em suas mãos no fim do mês. 
 Limpei o trem, dei corda, ele partiu, deu muitas voltas... E meu pai sorriu e me abraçou pela última vez.  
O resto só eu pude compreender quando cresci e comecei a ver todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse a medo: 
- Onde é que está aquele seu brinquedo? Eu vou trocar por outro na cidade. 
 Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar. E como quem não quer abandonar um mimo, que lhe deu quem me quer bem, eu disse medroso: 
 -Ah, eu só queria ele! Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele, e por favor não vá levar meu trem. 
Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que, eu ainda creio, tão puro e santo só Jesus chorou. 
Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou, ele não deu ouvidos, saiu correndo e nunca mais voltou... 
Você! Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou, sem pai e sem brinquedos. Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre para riqueza do menino pobre, que sonha o ano inteiro com o Natal! 
 Meu pobre pai, doente, mal vestido, pra não me ver assim desiludido, comprou por qualquer preço uma ilusão... 
 Num gesto nobre, humano, decisivo, foi longe pra trazer-me lenitivo, roubando o trem do filho do patrão! 
 Pensei que viajara. No entanto, depois de grande, minha mãe, em pranto, contou que fora preso. 
 E, como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia. 
 Foi definhando até que Deus, um dia, entrou na cela e o libertou pro céu. 
(ALDEMAR PAIVA) 

 Aldemar Buarque de Paiva (Maceió, 20 de Julho de 1925- Recife, 04 de Novembro de 2014) foi um poeta, cordelista, radialista, jornalista, compositor, produtor artístico e publicitário brasileiro.
Foi o fundador da Rádio Difusora de Alagoas.
 Oficial do Exército, foi transferido para o Recife, actuando inicialmente na Rádio Clube de Pernambuco, em substituição a Chico Anísio como produtor, apresentador e director artístico.

Informação: Wiquipédia

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

DIA DE NATAL

PARA OUVIR CLIC SOBRE A IMAGEM



Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
De falar e de ouvir com mavioso tom,
De abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
De lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
De perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
De meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
Como se de anjos fosse,
Numa toada doce,
De violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
A voz do locutor
Anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
E as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa excelência verificou a hora exacta - em que o Menino Jesus nasceu?)
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziantes,
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
E fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
Com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
Cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
As belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
Ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
E como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
Como se o Céu olhasse para nós… e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
E compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
A sua comoção é tanta, tanta, tanta,
Que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho
Na noite incerta
Para ver se a aurora já está desperta.
De manhãzinha
Salta da cama,
Corre à cozinha em pijama.
Ah!!!!!!

Na branda macieza
Da matutina luz
Aguarda-o a surpresa
Do Menino Jesus.

Jesus,
O doce Jesus,
O mesmo que nasceu na manjedoura,
Veio pôr no sapatinho
Do Pedrinho
Uma metralhadora.

Que alegria
Reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
Fuzilava tudo com devastadoras rajadas
E obrigava as criadas
A caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
Fingiam
Que caíam
Crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,


Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
De Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão, in 'Antologia Poética'

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

CONTO DE NATAL DO FUTURO


NATAL DE 2085
O calendário indica-nos que o ano de 2085 estás prestes a terminar.

Embora cada um deles pudesse, individualmente, ver o seu canal preferido, controlável por ondas cerebrais captadas nos auscultadores, bisavô e bisneto estavam, naquele momento, assistindo ao mesmo programa, no mesmo écran.
A sala é muito agradável, com todos os requisitos modernos, desde carpetes com auto-limpeza, o que lhes permite terem sempre os tapetes impecavelmente limpos, até à lareira que esfria ao toque, o que evita acidentes indesejáveis, como queimaduras.
Os sofás de módulos facilitam a sua arrumação e permitem-lhes estar lado a lado, como agora, ou afastados, se assim o desejarem, como, por exemplo, quando estão a ver programas diferentes.
Quando o programa terminou, Ícaro, o bisneto, disse para o bisavô, Marco:
- Então, Bi, este ano não vais ver os festejos da reserva? Olha que hoje é dia 24 de
  Dezembro…
- E e eu podia lá faltar, meu querido? É o único evento a que nunca dexei de assistir
  desde a sua   inauguração e ao qual tenciono não faltar enquanto tiver forças para me
  deslocar.
  E tu, Ícaro, queres acompanhar-me?
- Claro que sim, Bi. Eu também nunca deixei de ir desde que me levaste lá a primeira
  vez…
- Então vai-te preparar porque temos que nos pôr a caminho. Olha, e não te esqueças
  de avisar a tua prima, a Ísis, porque ela disse-me que também queria ir…
- Ok, Bi. Vou já dizer-lhe para preparar a mochila e, claro, “não esquecer os abafos
  porque à noite arrefece” – acrescentou, brincalhão, imitando a voz do bisavô.
Apesar dos seus cento e cinco anos a memória de Marco continua perfeita, embora de vez em quando vá tendo alguns esquecimentos – “onde terei posto os óculos? “, “o que vinha aqui fazer?”, “será que já tomei os medicamentos” e coisas deste género. Mas recorda muito bem o que se passou quando era jovem, e todas as transformações que a Natureza foi sofrendo ao longo dos anos.
Quando tinha 30/31 anos, recorda ele, o planeta começou a aquecer desmesuradamente. Lembra-se bem das notícias que ouvia de que, nos últimos 17 ou 18 meses, não podia precisar, tinham sido batidos, todos os meses, os recordes máximos de temperatura média global.
As alterações climatéricas continuaram a ocorrer a um ritmo assustador, mas não foram tomadas medidas eficazes para evitar uma catástrofe.
Cimeiras e acordos realizados resultaram em fracassos sucessivos, pois os países desrespeitavam todas as decisões aí tomadas, contribuindo para o aumento consecutivo da poluição atmosférica.
As guerras infindáveis tinham contribuído também, em grande parte, para a desertificação do Planeta.
A falta de políticas ambientais levou a que o Planeta Terra se tornasse no lugar inóspito e quase sem vida que Marco, com desgosto, descortinava para além das largas janelas da sua sala.
No jardim do condomínio onde vivem há relva artificial fazendo desenhos exóticos, perfeitamente simétricos.
Vêem-se alguns vasos com plantas naturais que, diariamente,  são mudados, trocados por outros mantidos em estufas, já que a poluição atmosférica é tão elevada que não permite que as delicadas plantas verdadeiras possam ficar expostas ao ar por mais de vinte e quatro horas.
É também em estufas que são criados os poucos alimentos naturais a que só os mais favorecidos têm acesso. A restante população alimenta-se de produtos sintéticos, produzidos  em laboratórios.
Enquanto espera pelos bisnetos Marco senta-se, pega no comando interactivo e dirije-o para as cortinas. Estas têm espessura dinâmica para permitir a alteração do nível de iluminação, assim como a exibição de imagens. Escurece a sala, e faz projectar nos cortimados fotos de tempos passados, de quando era jovem, de praias de areia branca e resplandecente, e do mar no seu constante movimento.
Com grande algazarra Ísis e Ícaro entram na sala interrompendo-lhe os nostálgicos pensamentos. Trazem às costas as suas mochilas e vêm radiantes.
- Lembraram-se de trazer os vossos cartões? Não estejam à espera de que eu pague
  as vossas despesas… - disse Marco, olhando para os bisnetos, enternecido.
- Claro que sim, Bi. Nós não somos como tu, que te esqueces de onde pões os óculos – 
  respondem alegremente.
Descem o supersónico elevador e vinte segundos depois encontram-se no rés do chão. Caminham rapidamente para o aeromobil que Marco já comandara para sair da garagem e os aguardava à porta de casa.
Chegados à reserva introduzem os cartões no local próprio para abrir o enorme portão.
Respiram fundo, felizes, preparados para viver os momentos mais emocionantes de que têm memória.
A reserva é uma vasta área, semelhante a uma vila dos anos passados. Ruas alcatroadas onde circulam veículos que, aos bisnetos, parecem pré-históricos, mas que não têm mais de cem anos. As ruas encontram-se todas iluminadas. Ouve-se no ar uma suave música natalícia.
Marco respira fundo, emocionado como sempre que aqui vem. Ísis e Ícaro olham para tudo com espanto – têm apenas nove anos, Ísis, e oito anos, Ícaro, e já não se lembram bem do que viram no ano anterior.
Vão caminhando lentamente, apreciando as luzinhas que, brilhando, envolvem as casas, donde se escapam os odores dos cozinhados que lá dentro se estão preparando para mais logo. De quando em quando deparam-se com pequenas árvores de Natal, artificiais, às portas de algumas casas, enfeitadas com bolas brilhantes e vários enfeites, como pequenos pais natais nos seus trenós, passarinhos em ninhos, laços e pingentes de vidro, e por cima flocos de neve artificial.
Pelas ruas veêm-se vários turistas, que se distinguem dos habitantes da reserva pelas suas vestes modernas e de mochilas às costas. Todos tencionam ali pernoitar.
A noite vai descendo e Marco, Ísis e Ícaro vão-se encaminhando para o grande largo onde se encontra a sala comunitária.
Passados alguns momentos abre-se a grande porta da sala, onde os turistas se apressam a entrar, depois de terem passado os cartões na máquina que lhes fornece o talão que lhes vai permitir tomar parte no repasto.
Ao centro da sala pode ver-se uma enorme árvores natural, profusamente iluminada com miríades de luzinhas de todas as cores, e todos os enfeites que os moradores da reserva foram acumulando ao longo dos anos.
Durante o ano esta árvore é mantida dentro duma enorme estufa, onde se cultivam também árvores de fruto. Além desta, há outras estufas para o cultivo de vegetais de que se alimentam os moradores da reserva. Estes são autosuficientes; vivem dos produtos que cultivam nas estufas, ovos das galinhas que criam nos quintais, e carne de animais domésticos. Peixe não é ali consumido há largos anos pois o rio, a que eles podem ter acesso, tem a água de tal modo poluída que nenhum ser vivo ali sobrevive.
Ao fundo da sala uma lareira com troncos ardentes confere-lhe um ambiente extremamente acolhedor.
Junto à árvore de Natal encontra-se uma mesa oval onde irão acomodar-se o pároco e os maiorais da reserva. Dos lados da sala há mesas redondas às quais se vão sentar os comensais que costumam ser cerca de quinhentos – quatrocentos habitantes da reserva e aproximadamente cem turistas.
Marco, Isis e Ícaro sentam-se à mesa cujo número está indicado no talão retirado à entrada. Em breve juntam-se-lhes mais sete pessoas, perfazendo um total de dez.
Enquanto esperam pelo grande momento do jantar de Natal entretêm-se petiscando pinhões e figos secos, nozes e passas, e apreciando a música natalícia que se escoa pelos altifalantes.
A dado momento entram na sala, que está praticamente cheia, o pároco e o chefe da reserva, seguidos das outras pessoas que vão ocupar a mesa oval. Depois de uma saudação dirigida aos presentes sentam-se à mesa.
Logo de seguida começa a ser servido o jantar.
Aparece em primeiro lugar o bacalhau fumegante, logo seguido de apetitosas batatas, grão de bico, ovos cozidos, feijão verde cortado bem fininho e com um aspecto delicioso, grelos e por fim as tão apetecidas couves. Em travessas mais pequenas é apresentado polvo cozido e ainda pasteis de bacalhau.
Aqui, na reserva, onde residem pessoas oriundas das mais diversas regiões, há sempre o cuidado de manter as tradições de cada um, cozinhando os alimentos que lhes recordam os saudosos tempos do passado.
Em cada mesa estão colocados o azeite, o vinagre, o sal e a pimenta; em jarros, o precioso vinho fabricado lá mesmo na reserva e sumos naturais para os mais pequenos.
Porque se trata de um jantar de família, da grande família que é a população da reserva, embora possam assistir convidados, todos aguardam o sinal para iniciar a refeição, sinal que é dado pelo pároco ao fazer uma breve oração de agradecimento pelos alimentos que têm à sua disposição.
É com grande prazer que o jantar começa, e aqui e ali ouvem-se rasgados elogios especialmente da parte dos convidados, pouco habituados a alimentos naturais.
Logo que todos terminam começam a ser servidos os doces, cujo aroma a canela e limão enche o recinto. São travessas a abarrotar de rabanadas, aletria, arroz doce, formigos e os indispensáveis bolinhos de jerimú. Tudo isto acompanhado por excelente vinho do Porto.
Comendo e conversando, a refeição arrasta-se em alegre convívio.
Cerca das onze horas aparece um grupo coral junto à lareira que começa a entoar canções natalicias, o que contribui ainda mais para dar àquele jantar o verdadeiro espírito de Natal.
Bem perto da meia noite o pároco retira-se e alguns minutos depois ouve-se o sino da igreja, chamando os fiéis para a missa do galo.
Os que desejam assistir à missa, que são a maioria, dirigem-se para a igreja. Marco, Ísis e Ícaro encontram-se entre eles.
No final, ao sair da igreja, Marco encontra um velho conhecido e amigo dos seus tempos de juventude, que vive na reserva. Cumprimentam-se com um forte abraço – já não se viam há um ano – e Marco comenta:
- É impressão minha ou a população não aumentou do ano passado para cá?...
- Não é impressão, é mesmo verdade. Como já te disse a população mantém-se sem
grandes oscilações numéricas porque a natalidade é perfeitamente controlada e respeitada por todos. Nem poderia ser doutra maneira, a reserva tem espaço limitado…
- Já me tinhas dito, sim. E a respeito do bacalhau e do polvo… pelos vistos continuam  
  a conseguir arranjá-lo…
- Conseguimos, mas cada ano que passa se torna mais difícil e mais caro. A reserva
que o conserva congelado há quase cem anos cada vez faz mais restrições porque
o stock está a diminuir, como é lógico, e eles valem-se disso para aumentar os pre-
ços que já são exorbitantes…
Lá chegará o tempo em que teremos que comer galinha no jantar de Natal…
- Que isso não aconteça enquanto eu for vivo, pelo menos – retorquiu Marco.
Baixando a voz para que os bisnetos não o ouçam, Marco pergunta:
- E aquele problema que me relataste o ano passado, acerca dos islâmicos que queriam
  infiltra-se… voltou a acontecer?
- Felizmente não, o que não admira, depois da recepção que demos aos anteriores…
- Ainda bem, não fazem cá falta nenhuma – respondeu Marco.
Continuando o seu caminho dirigem-se à sala comunitária, donde entretanto  foram retiradas as comidas. Com eles estão quase todos os turistas que assistiram ao jantar.
Das mochilas retiram colchões que se enchem automaticamente ao puxar de um cordão; enfiam-se nos sacos cama e deitam-se quase tão confortavelmente como se estivessem em casa, nos seus quartos. Ísis e Ícaro não adormecem facilmente, tal é o seu estado de excitação devido aos últimos acontecimentos.
Levantam-se cedo e depois de tomarem o pequeno almoço num café próximo da sala comunitária, voltam a percorrer as ruas enfeitadas, agora com as luzinhas apagadas, cruzando-se com uma ou outra pessoa, geralmente turistas que, como eles, aproveitam para passear. A felicidade que sentem por ali estarem é tão grande que até o ar lhes parece menos poluído do que fora da reserva. Nem têm necessidade de usar as máscaras que frequentemente utilizam no mundo onde vivem.
Não se apercebem da passagem das horas, mas em breve soa a sineta avisando que a sala comunitária vai abrir e quem quiser pode ali dirigir-se para participar do almoço de Natal.
Todos se dirigem para lá, repetindo o ritual da noite anterior.
Em breve a sala é invadida pelos odores das carnes assadas, galinha, perú e leitão, das batatinhas assadas e da fresca salada variada.
E como não poderia deixar de ser, findos os salgados segue-se a quantidade infindável de doces, como na noite anterior, acrescida de variados pudins.
Marco, Ísis e Ícaro terminam a refeição alegremente, e já a tarde vai avançada quando, com bastante pena, abandonam a reserva e regressam ao seu modermo apartamento, onde não encontram o mais leve vestígio de Natal.

No dia seguinte, ao acordarem, Ísis e Ícaro ficam a pensar se tudo não passou de um lindo sonho…

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

AS MINHAS FÉRIAS EM 2016 – TERCEIRA E ÚLTIMA PARTE

Para finalizar as fotos das minhas férias de 2016… aqui está a terceira e ultima parte. Espero que gostem, e não esqueçam: 

A MUDANÇA DE SLIDES É FEITA COM O RATO


SÃO TOMÉ


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terça-feira, 8 de novembro de 2016

AS MINHAS FÉRIAS EM 2016 – SEGUNDA PARTE

 Com algum atraso em relação às minhas previsões… partilho convosco a segunda parte das minhas últimas férias. 
É um trabalho bastante moroso… daí só agora o poder apresentar. Espero que gostem. 

Tal como aconteceu com a primeira apresentação, também nesta a mudança de slides é feita com o “rato”.

A próxima postagem será dedicada exclusivamente à Ilha de São Tomé, e com ela terminarei o ciclo de “AS MINHAS FÉRIAS EM 2016”

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

AS MINHAS FÉRIAS EM 2016 – PRIMEIRA PARTE

O prometido é devido…
Quando comuniquei que ia de férias prometi que, no regresso, publicaria fotos.
Já regressei há um certo tempo… mas tenho tido enorme dificuldade na escolha das fotos a partilhar convosco.
É que, entre eu e o meu filho (com quem fui de férias) tirámos perto de mil fotos – precisamente 967. Por isso a escolha foi difícil…
Tentei reduzir ao mínimo… mas ainda assim restaram muitas. Por isso dividi-as em duas partes.
Hoje apresento metade delas. Na próxima postagem mostrarei as restantes.
Espero que gostem.
PS – Mudança de slide com “rato”

ILHÉU DAS ROLAS-SÃO TOMÉ - 1ª.Partea


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Veja também este pequeno filme:


segunda-feira, 19 de setembro de 2016

FÉRIAS/SENTIDO INVERSO

… No dia seguinte eu não trabalhei à noite e fiquei na sala. Acomodei-me no sofá e liguei a televisão.
 A minha amiga veio sentar-se junto de mim e começou a falar:

SENTIDO INVERSO
III e ÚLTIMA PARTE

- Sabes o que significa o que surpreendeste ontem?
- Calculo que sim… Ou haverá outra explicação diferente daquilo que pensei?
- Não, o que pensaste está correcto. Eu sou lésbica, e não me envergonho…
- E porque haverias de te envergonhar? Se há algum motivo para te envergonhares é o não teres sido franca comigo, quando pensámos em alugar o apartamento e passarmos a viver juntas.
- Se soubesses que eu era lésbica não terias vindo viver comigo?
- Provavelmente isso não me faria mudar de ideias, viria viver contigo, sim, mas não teria feito figura de parva…
- Mas tu não fizeste figura de parva coisa nenhuma. Quando é que tal aconteceu?
- Olha, todas as vezes que recebeste amigas no teu quarto e eu não desconfiei de nada. Achas pouco?
Nesta altura ela agarrou a minha mão, meigamente, acariciando-a com um ar perfeitamente inocente.
Eu não vi nesse gesto qualquer segunda intenção, por isso não retirei a mão.  
A minha amiga disse:
- Perdoa-me. Acredita que não queria magoar-te. Eu gosto muito, muito, de ti. Há muito tempo, desde o primeiro ano da Faculdade, que eu sentia uma atracção enorme por ti. Mas nunca tive coragem para to dizer. O facto de sermos tão amigas ainda me intimidava mais.
À medida que falava ia se aproximando, e em breve estava a dar-me pequenos beijos no pescoço, entrecortado de curtas frases - “ Deixa-me fazer-te feliz”…
Senti um frémito de prazer percorrer-me o corpo. Fechei os olhos e imaginei-me nos braços dum príncipe encantado, acariciando-me ternamente.   
Perante a minha passividade, ela avançou a outra mão e começou a desabotoar-me os botões da blusa.


Abri repentinamente os olhos e “vi” que ao meu lado estava UMA princesa, não UM príncipe.
Com suavidade mas também com firmeza, retirei a mão que tinha sobre o meu peito e afastei-me dela. Segurando-a pelos ombros, olhos nos olhos, disse-lhe, claramente:
- Eu gosto muito de ti, tu sabes. Adoro-te! Mas entre nós nunca poderá existir nada para além de uma grande mas pura amizade.
- Pois aí é que está a questão. Tu vês-me como uma irmã, e qualquer envolvimento entre nós ia ter, para ti, o cariz de incesto.
Mas tu não imaginas como pode ser doce e ao mesmo tempo arrebatador o Amor entre mulheres. Aquela minha amiga que avistaste ontem é fantástica. Deixa-me apresentar-ta. Tenho a certeza que mudarás de ideias. Eu senti, ainda há pouco, que estavas a ter prazer…
- Sim, é verdade que por breves momentos fiquei excitada. Mas sabes porquê? Porque me imaginei nos braços de um homem.
Não, minha amiga, não quero que me apresentes ninguém. Eu sei que, definitivamente, gosto de homens, e serei incapaz de ter qualquer ligação íntima com uma mulher.
A minha amiga notou o tom firme em que falei. Não insistiu. Continuámos, e ainda somos, excelentes amigas.
Este incidente não me afectou minimamente. Talvez fizesse com que me viesse à memória, com maior frequência, o que aconteceu quando andava na escola.
Será que, se aquela experiência se tivesse consumado, eu hoje seria como a minha amiga? Gostaria só de mulheres, seria lésbica? Para esta pergunta não encontro resposta.
Eu e a minha colega ainda partilhámos o apartamento por dois ou três anos. Depois ela foi viver com outra amiga, com quem estabeleceu uma relação estável, que dura até hoje.
A nossa amizade não foi afectada com a separação. Continuamos grandes amigas. Respeito a sua opção de vida tal como ela respeita a minha.
Eu continuei com os estudos, acabei o curso, e fiquei a estagiar no escritório do meu “patrão”. Namorei muito, mas sem compromissos sérios.
Há dois anos, quando festejei os meus 35 anos, conheci alguém especial. Muito especial. Houve química entre nós. Iniciámos uma relação de Amor sem sobressaltos, com os seus momentos de paixão intensa, e sentimos que “fomos feitos um para o outro”. Estamos ambos convencidos de que acabaremos os nossos dias juntos.
Entretanto, alguns meses depois de o conhecer, uma noite sonhei que eu era homem. Nesse sonho a minha Mãe aparecia olhando-me com enlevo e orgulho, e de repente notei que estávamos vestidos de cerimónia: a minha Mãe com um vestido longo, e eu com um belo smoking. Ela segurava o meu braço, caminhando lentamente ao meu lado. Ao longe vislumbrei um vulto, que não identifiquei, de alguém usando um vestido de noiva, o que me causou um grande sobressalto. Era o meu casamento!
Acordei subitamente, impressionada com um sonho tão disparatado.
Durante o dia várias vezes o mesmo me veio à ideia. E pensava:
- Como será ser homem? Os homens serão assim tão diferentes das mulheres? Deveria eu ter nascido homem? Nesse caso eu gostaria, naturalmente, de mulheres…
Nessa mesma noite tomei uma decisão.
- Quero experimentar a sensação de ser homem!
Inscrevi-me numa rede social com um perfil masculino.
Como domino razoavelmente bem a técnica da imagem em computador “construí” uma foto dum homem jovem, muito charmoso, que causa um verdadeiro delírio especialmente entre as teenagers.


Todas as noites abro a minha página e respondo às inúmeras mensagens das minhas admiradoras, a cada dia aprimorando as minhas qualidades de figura masculina, contando histórias fantásticas que as põem ao rubro.
Sou um verdadeiro herói. Bem de vida, com uma profissão liberal, sem compromissos a não ser com o meu trabalho, uns 28 anos muito saudáveis e frequentes idas ao ginásio.
Trato todas com o mesmo carinho, sem preferência por nenhuma, de modo a não causar ciúmes. Um gentleman muito diplomático.
Mas o mais estranho é que faço isto com prazer, e sinto-me cada vez mais presa ao personagem que todas as noites encarno.
O facto de a maioria, se não a totalidade dos comentários e pedidos de amizade que recebo serem de mulheres, talvez explique o prazer que me dá representar o papel de homem.
De vez em quando faço auto-análise, como sempre fiz, não querendo nunca recorrer a psicólogos. E muitas vezes me pergunto se, no fundo, eu não sentirei um certo desprezo ou desgosto pelo facto de ser mulher, e se não faço isto como uma espécie de vingança. Porque, no fundo, o que estou a fazer, é enganar mulheres, jovens, na sua maioria – pelo menos assim se apresentam – ainda que apenas no campo virtual.
Quando estas dúvidas me assaltam fico muito desgostosa comigo mesma, e durante uns dias não abro a minha página. Mas… não resisto muito tempo, e acabo por voltar lá e começar tudo de novo. Nessa altura já as minhas admiradoras me encheram a página com lamúrias…

Entretanto… está nos meus planos constituir família com o meu actual namorado. Mas, antes, tenho que lhe contar este meu segredo. Se ele o entender… passaremos a viver juntos, teremos os nossos filhos, e seremos felizes para sempre. E abandonarei a página social, quanto mais não seja por falta de tempo, pois tenciono dedicar-me à família por completo, embora sem descurar a profissão…
O meu maior desejo é que a minha prole, em número ainda não definido, seja constituída apenas por meninas. Vou vingar-me cobrindo-as de laços, lacinhos e laçarotes, flores e passarinhos, e corações, atravessados ou não por setas! Sem esquecer os folhinhos e os cabelos pela cintura.

Hoje eu pergunto-me: eu seria uma pessoa diferente, mais estável, mais segura, com menos dúvidas que, constantemente invadem o meu espírito, se a minha Mãe não tivesse tentado forçar o meu destino, querendo dar-lhe um sentido inverso?

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

FÉRIAS/SENTIDO INVERSO

…Penso que a minha sexualidade ainda não tinha despertado, o que só viria a acontecer, na prática e fisicamente, depois dos dezoito anos.

SENTIDO INVERSO - Continuação
II PARTE 

Naquela altura, com a minha amiga, não sei o que senti. Espanto, talvez.
A verdade é que eu era, com certeza, muito infantil, e com a educação algo severa dos meus pais, não tinha tido, ainda, devaneios amorosos…
A minha reacção foi, portanto, afastar-me um pouco; mas ela puxou-me carinhosamente para si e começou a beijar-me o pescoço ao mesmo tempo que tentava acariciar-me o peito, que já se notava perfeitamente, fazendo antever o que viria a ser dentro de pouco tempo.


Fui salva pelo gongo, como se costuma dizer. O telefone começou a tocar e a minha amiga foi à sala atender. Eu aproveitei para rapidamente me vestir, e quando ela regressou disse-lhe que era melhor ir-me embora porque não avisara a minha Mãe de que ia chegar mais tarde e “sabes como ela é exigente com os horários”. (A minha Mãe trabalhava em casa como tradutora, por isso quando eu saía da escola encontrava-a sempre em casa).
A minha amiga mostrou-se muito compreensiva e não insistiu para eu ficar; apenas me disse que gostava que eu fosse novamente estudar com ela, mas que avisasse com antecedência a minha Mãe.
Saí dali com as pernas a tremer. Tinha a sensação de que o que se passara não era tão inocente como a minha amiga me queria fazer crer. O meu sistema de alerta funcionara na perfeição, evitando que eu pudesse ter a minha primeira experiência homossexual, para a qual não estava minimamente preparada, e que poderia ser bastante traumatizante.
Ela ainda voltou a convidar-me meia dúzia de vezes para ir a sua casa; mas, perante as minhas escusas, acabou por desistir.
Não deixei de ser amiga dessa garota, embora evitasse, daí para o futuro, encontrar-me a sós com ela, e recusasse, sistematicamente, todos os seus convites que implicassem uma maior aproximação.
Nos anos que se seguiram até aos meus 18 anos nada de especial aconteceu no que respeita a experiências sexuais.
Penso que para isso muito contribuiu a educação que a minha Mãe me dava: muito carinho, muito amor, mas muita severidade também.
Ela conhecia perfeitamente os meus horários escolares, e não admitia que eu chegasse a casa mais tarde do que o tempo necessário para a deslocação. Para que tal acontecesse, tinha que ser previamente avisada.
À medida que os anos passavam as minhas formas iam-se arredondando, a cintura ficando mais fina e os traços do rosto mais harmoniosos.
Contra isso a minha Mãe nada podia fazer, a não ser comprar-me roupas bastante folgadas, que disfarçavam as minhas elegantes formas.
Fora dos seus olhares eu colocava um cinto que ajustava a roupa à cintura, porque cada dia sentia mais vontade de me libertar daquela maneira de vestir arrapazada. Mas com a minha Mãe não valia a pena insistir: a sua vontade era soberana. E depois… ela tinha uma maneira de se impor, uma autoridade tão natural, que eu nem sentia que estava a ser contrariada, mas sim convencida a fazer o que não me agradava.
Quando as amigas dela a iam visitar a eu aparecia para as cumprimentar,
não me poupavam elogios:
- Carminha – era assim que tratavam a minha Mãe - como a tua filha está bonita! E tão elegante! É uma verdadeira estátua! Só é pena que tenhas tão mau gosto para a vestir… Deve andar uma multidão de rapazes atrás dela…
- Já tens namorado? – perguntavam, dirigindo-se a mim.  
Eu simplesmente corava e baixava a cabeça; e antes que pronunciasse uma palavra a minha Mãe atalhava logo:
- Era só o que faltava! Ela tem é que pensar em estudar, tirar o seu curso, estabelecer-se na vida, e depois então pensar em namoricos. E ainda vai cedo! Eu casei-me com 28 anos e tenho tido tempo para realizar todos os meus sonhos. Portanto ela fará o mesmo.
Não foi bem isso que aconteceu. Com os meus 18 anos feitos iniciei a minha libertação, que implicava o corte do cordão umbilical.
Comecei a sair à noite com as minhas amigas, uma vez por outra, mas tendo sempre o cuidado de não chegar muito tarde.
A minha Mãe chamava-me sempre a atenção, embora não usando já aquele tom de exigência a que me habituara. Eu respondia-lhe alegremente, com um ar que queria significar: a meninice já lá vai, agora sou senhora do meu nariz.
Embora eu fosse muito obediente, ou talvez por isso mesmo, sempre fui muito orgulhosa. Não gostava de mendigar; e se alguma coisa que eu pedia me era recusada, eu simplesmente não insistia. O meu orgulho não me deixava rebaixar-me. Recordo-me de cenas que aconteceram e provam o que acabo de dizer, ainda eu era bem pequena.
Com esta maneira de ser e pensar não me sentia bem comigo mesma ao querer liberdade para proceder a meu bel-prazer e ao mesmo tempo ser dependente, economicamente, dos meus Pais.
Com 18 anos incompletos entrei para a Faculdade de Direito, e, ao mesmo tempo que estudava, consegui arranjar trabalho no escritório dum advogado amigo. De início fui ganhar muito pouco, mas em breve o ordenado foi aumentado. Com a educação que recebera só podia ser cumpridora… e o “patrão” era uma pessoa muito justa e honesta.
Foi assim que, aos 20 anos, já tinha amealhado o suficiente para pensar em desligar-me completamente da casa paterna, alugando um apartamento a meias com uma amiga.
Tinha, entretanto, arranjado um namorado do qual desisti quando ele começou a querer um relacionamento mais íntimo, o que não me atraía de modo algum.
Foi uma época bastante complicada, emocionalmente. Lembrava-me, frequentemente, do incidente com a minha amiga de escola.
E, sempre que o meu namorado tentava uma maior aproximação, a imagem da minha antiga colega acudia-me à mente, e eu sentia uma espécie de repulsa que me levava a afastar-me dele.


A minha colega de apartamento tinha algumas amigas que eu não conhecia, e que a visitavam de vez em quando. Como eu não mostrava interesse especial em conhecê-las, retiravam-se para o quarto para não me incomodarem. Geralmente eu estudava na sala.
Um dia em que eu tinha ido sair e voltei a casa porque me esquecera de um livro que me fazia falta, surpreendi a minha colega no quarto com uma amiga. Tinham deixado a porta aberta e os sons que pude ouvir não me deixaram dúvidas sobre as actividades em que se encontravam.


Quando fechei a porta, depois de entrar, a minha colega espreitou para fora do quarto e, ao ver-me, ficou com um ar muito comprometido.
Para mim foi um grande choque, não pelo facto em si, mas por ela nunca me ter dito ou sequer insinuado as suas preferências sexuais. Afinal, vivíamos no mesmo apartamento, falávamos de tudo abertamente…
Não me incomodou nada descobrir que ela era lésbica. Isso não ma afectava minimamente. Incomodou-me sim a sua falta de franqueza, tanto mais que eu a considerava uma amiga, e nela confiava inteiramente, confiando-lhe, até, os “problemas” que tinha com o meu namorado.
No dia seguinte eu não trabalhei à noite e fiquei na sala. Acomodei-me no sofá e liguei a televisão.
 A minha amiga veio sentar-se junto de mim e começou a falar:

Continua no dia 19 Setembro.