terça-feira, 6 de junho de 2017

VÊ-LO PARTIR - "IN MEMORIAM"

VÊ-LO PARTIR



"IN MEMORIAM"

Este poema representa uma espécie de “memorial” em homenagem a quem partiu, faz hoje, dia 6 de Junho de 2017, cinco anos, mas permanece vivo na minha memória e no meu coração – o meu Marido
    
VÊ-LO PARTIR
Vê-lo partir
Não foi assim tão triste, não.
Foi muito mais triste depois,
Ao recordar, sozinha,
O caminho antes percorrido
Com ele ao lado, para mim sorrindo…
Segurando a minha mão…

Como era alegre o seu sorriso
E festivo e risonho
O meu abrigo!

Ele partiu, levando consigo
Toda a ternura que existia em mim,
Deixando, para sempre
Um vazio sem fim…

Os dias, monótonos,
Perderam toda a graça.
Sem saber o que fazer,
À deriva,
Penso na minha desgraça.

As horas vão passando.
O sol, em surdina, declinando.
Um arrepio, percorrendo-me,
Recorda-me que estou viva,
E que ele partiu…

E quando à tarde, sozinha,
Debruço
O olhar sobre o caminho percorrido,
Lembro-me dele
E, sem querer, soluço.

Mariazita

domingo, 21 de maio de 2017

VIAGEM À NORUEGA

VIAGEM À NORUEGA

Por dificuldades “técnico/informáticas” não tive possibilidade de preparar o post que tencionava publicar no dia 18.
Como não prevejo quando o dito problema estará resolvido… decidi partilhar convosco um PPS referente à viagem de duas semanas que fizemos à Noruega, na última semana de Agosto e primeira de Setembro de 2011.
A Noruega é um país com características muito próprias, com usos e costumes bem diferentes dos outros países europeus.
Tem paisagens deslumbrantes, algumas de cortar a respiração; o tráfego automóvel é muito reduzido – viaja-se essencialmente de barco, pelos incontáveis fiordes.
Nós fomos de avião de Lisboa para Oslo – capital da Noruega – e lá tínhamos à nossa espera um confortável autocarro, no qual percorremos uma grande parte do país.
Das inúmeras fotos tiradas escolhi algumas das que me pareceram mais esclarecedoras. Tive que reduzir o máximo da sua resolução (doutro modo o ficheiro ficaria pesadíssimo) pelo que a qualidade das mesmas não é muito boa.
Conto com a vossa compreensão, e espero que gostem de me acompanhar nesta viagem maravilhosa.
Liguem o som e vejam em ecrã completo.


terça-feira, 2 de maio de 2017

AS CALCINHAS DA MARIA EUGÉNIA

AS CALCINHAS DA MARIA EUGÉNIA

Maria Eugénia era um doce de pessoa!
Sempre com um sorriso no rosto a todos acolhia com carinho e ternura, pronta a proporcionar todo o auxílio a quem dele necessitasse, fosse para simplesmente dar um conselho fosse para oferecer um ombro amigo para um eventual derrame de lágrimas.
Tendo sido uma alegre bebé gorducha, transformou-se numa adolescente rechonchudinha e, mais tarde, numa jovem de formas redondinhas.
Sem qualquer complexo em relação ao seu aspecto um pouco “anafado”, quando alguém lhe dizia que talvez devesse perder um pouquinho de peso, respondia alegremente:
- Gordura é formosura.
Atingiu assim os dezoito anos, sempre alegre e feliz.
Em breve conheceu um jovem, António, com quem simpatizou bastante e que logo a cortejou.
Tratava-se dum rapaz com muito boa aparência e bem instalado na vida, que, com a aprovação da família, começou a namorar a Maria Eugénia.
Decorridos três ou quatro anos de namoro, o tempo que naquela altura se considerava normal para se conhecerem, realizou-se o casamento.
As “amigas”, cheias de inveja, achavam que, tratando-se de um rapaz tão bonito, com uma vida confortável como poucos na sua idade, bem poderia escolher noiva mais apresentável, como algumas delas, por exemplo. Não que Maria Eugénia fosse feia, pois tinha um rosto muito bonito; mas, com as suas formas bem anafadas, não devia muito à elegância.
O que as “amigas” não sabiam era que, o que tinha prendido António, era, acima de quaisquer atributos físicos, o enorme coração de Maria Eugénia, ao qual se rendera incondicionalmente.
Foram felizes até ao fim dos seus dias.
António trabalhava com importações de tecidos finos (sedas, veludos, tules…) o que, naquela época, contribuía para engrossar a sua conta bancária.
Mais tarde abriu uma loja onde vendia vestidos para noivas e acompanhantes, costurados nas traseiras da loja, onde instalara uma pequena fabriqueta.
Com o tempo, e com o seu dom especial para os negócios, em breve abria mais lojas e montava uma fábrica de confecções a sério.
Neste tipo de trabalho em que se ocupava António, a clientela era essencialmente feminina. E porque ele era, de facto, um homem muito atraente, a quem o casamento e a idade haviam aumentado o encanto natural, as suas clientes não raras vezes tentavam insinuar-se junto dele. Porém António, com um sorriso constante nos lábios, contornava a situação conseguindo manter-se fiel ao casamento. Não perdia a cliente e não traía Maria Eugénia.
Por vezes, despeitadas, e porque conheciam Maria Eugénia, quando a encontravam tentavam intrigar, insinuando que António fora visto aqui e ali, em situações mais que suspeitas.
Maria Eugénia ouvia-as com toda a atenção e delicadeza, próprias da sua maneira de ser, e no fim, esboçando o maior sorriso que podia ostentar, respondia, com humor:
- Ora! O que é que isso importa? Depois de lavado fica como novo!
E assim desarmava as “amigas de Peniche”.

Maria Eugénia teve dois filhos, que eram o encantamento dos pais.
As duas gestações não favoreceram nada o físico de Maria Eugénia que apresentava agora umas formas mais redondas ainda.
Isso não parecia preocupá-la minimamente, e a sua felicidade familiar era completa.
Com o desenvolvimento dos negócios António arranjou clientes na Madeira e Açores, os quais visitava no princípio das estações, levando-lhes mostruários das suas colecções de tecidos e catálogos dos vestidos de noiva.
Enquanto as crianças foram pequenas António viajava sozinho porque Maria Eugénia, mãe extremosa, não os queria deixar entregues às criadas.
Porém, quando eles já eram mais crescidos, e porque tinham sido educados segundo valores éticos responsáveis, Maria Eugénia começou a acompanhar o marido.
Numa dessas viagens à Madeira quando chegaram ao hotel e se instalaram no quarto, Maria Eugénia verificou, horrorizada, que se tinha esquecido de meter calcinhas na mala. Ficou aflita.
As estadias, tanto na Madeira como nos Açores, demoravam sempre duas semanas e eram feitas entre fins de Janeiro a princípios de Março.
Seria impensável andar todas as noites a lavar as calcinhas, até porque era Inverno e o mais provável seria não secarem durante a noite.
O marido, que entretanto ficara à conversa com um conhecido no hall do hotel, foi encontrá-la bastante aborrecida com o seu esquecimento. Mas logo encontrou solução:
- Depois de almoço, quando eu for visitar o cliente “X”, tu aproveitas o tempo, vais às lojas e compras todas as calcinhas que achares necessárias.
Maria Eugénia respirou aliviada. No meio da aflição e aborrecimento por se ter esquecido duma coisa tão básica com calcinhas, nem lhe ocorrera uma solução tão simples.
Tal como combinado, de tarde Maria Eugénia pôs-se em campo à procura de lojas de lingerie. Entrou na primeira que encontrou onde um amável senhor a cumprimentou com um sorriso.
Quando Maria Eugénia lhe disse o que pretendia o senhor perguntou-lhe:
- Qual o número que a senhora deseja?
Meio encabulada, Maria Eugénia gaguejou…
- Bem, o número não sei ao certo… Olhe… são para mim…
O senhor mirou-a com toda a atenção, como que a tirar-lhe as medidas. Voltou-se e retirou da prateleira uma caixa de calcinhas. E disse, olhando-a novamente.
- Penso que este tamanho deve estar bem, e até lhe dá até ao fim do tempo…
Maria Eugénia engoliu em seco, até certo ponto feliz porque o senhor não pensara que ela estava simplesmente gorda, pagou e retirou-se.
À noite, ao contar ao marido o sucedido, com uma forte gargalhada ela comentou:
- Ainda bem que ele pensou que eu estava grávida. É bem melhor do que pensar que a minha gordura é simplesmente gordura.
Abraçando-se, ambos riram a bom rir. E António rematou com a frase habitual:
- Adoro-te, minha gorduchinha querida.

 Naquela altura a Maria Eugénia estava, simplesmente, gorda, não estava grávida.
Mas já por duas vezes pudera usufruir desse “estado de graça”, e sentira-se a pessoa mais feliz do mundo.

Dedico este pequeno e despretensioso conto, BASEADO NUMA HISTÓRIA VERÍDICA, a todas as Mães de todo o mundo - cujo “DIA”, em Portugal se celebra no primeiro Domingo de Maio, este ano no próximo dia 7.


quinta-feira, 13 de abril de 2017

MOMENTO DE POESIA – DESTINO



DESTINO
Olhaste para mim
Como se olhasses para uma folha de papel vazia
Onde querias gravar as palavras
Do nosso destino.

Pedi-te que deixasses
Espaço bastante entre as linhas
Para que eu pudesse escrever
Nas entrelinhas.

Não quiseste ouvir-me.
E quando tentei que chegasse junto a ti
O meu sentir,
Faltava espaço para me exprimir.

O nosso destino passou a ser
Apenas o que desejavas para nós.
Mas uma só vontade não basta
Para dois trilharem um caminho a sós.

Sem esperança de retorno,
Deu-se a despedida.
Cada um seguiu o seu destino.
E, agora, eu já não sou uma folha de papel vazia.


Mariazita

PS – Vou ausentar-me por uns dias. Quando regressar agradecerei todos os comentários recebidos.
A TODOS UMA PÁSCOA MUITO FELIZ!

quarta-feira, 22 de março de 2017

GOSTO…


GOSTO de aves, altaneiras e velozes como o vento, das suas penas coloridas, das suas plumas…


 GOSTO de chapéus, chapéus com plumas


que oscilam quando o vento lhes bate de mansinho


GOSTO do vento manso que, por vezes, acaricia suavemente as folhas das árvores, os ramos executando movimentos sensuais…



outras vezes arrastando as folhas rudemente pelo chão, fazendo-as rodopiar em danças frenéticas, com loucas coreografias a esmo, rodando, rodando sem fim, até que, sem forças, repousam na berma da estrada…
GOSTO do vento furioso, forçando as frinchas das janelas, assobiando sinfonias por si mesmo compostas…



GOSTO de relógios


 O Homem quis dominar o tempo... e inventou o relógio.
Mas o tempo riu-se, e continuou a caminhar. Sabia que nem o mais refinado relógio conseguiria aprisioná-lo.
O Tempo! Esse senhor que ao longo dos anos vai acumulando lembranças, boas e más, que marca os rostos com os sulcos da vida, que tece belos casulos de luar para guardar segredos, que leva os sonhos para o mundo do faz de conta…
Esse mesmo Tempo que passa ligeiro, e um dia, nas trevas do desencontro, nos mostra um relógio que apenas tem corda para mais alguns segundos…
Importante é aproveitá-lo... antes que ele desapareça ...

GOSTO do sol indiscreto entrando pelas janelas, assenhoreando-se do quarto onde durmo, derramando-se na cama onde acabo de acordar.



GOSTO da imensidão do mar que em tempos longínquos levou os portugueses até terras da Ásia e da América…

(A emigração funcionava ali até 1930. Hoje é um Museu, onde se encontram os registos dos emigrantes que aportaram a New York, por mar.)

GOSTO de cavalos, esses nobres animais de porte altivo, pertencentes à família dos equídeos, por vezes, com sucesso, usados em equoterapia (recuperação da coordenação motora de certos deficientes físicos), adaptados a trabalhos agrícolas e transporte, desportos e jogos, como pólo, provas de equitação e corrida,


onde podem atingir a incrível velocidade de 60 Km/hora.
São inúmeras as histórias de comportamento admirável de cavalos em campos de batalha, já que, até meados do século XX, foram usados de forma intensa nas diversas guerras que grassaram durante esses longos anos.
Ainda hoje existem as unidades de cavalaria, embora, felizmente, os cavalos já não estejam expostos aos perigos das guerras antigas

GOSTO…
GOSTO de ti quando chove, dos teus cabelos molhados,
GOSTO de ti ao nascer do sol, com o raiar dum novo dia, o rosto irradiando felicidade,
GOSTO de ti quando choras, as lágrimas sulcando-te o rosto, pérolas brilhando quais diamantes…

 GOSTO DE TI!

sexta-feira, 3 de março de 2017

MOMENTO DE POESIA

AMOR SEM AMOR
AMOR SEM AMOR

Beijaste os meus cabelos de mansinho
Com carinho jamais experimentado.
O teu suave gesto apaixonado
Meu coração deixou em desalinho.

Sem defesas ou simples resistência
Num querer e não querer entregar-me,
Um sinal que pudesse libertar-me
Dias sem fim pedi à Providência.

Nem o mais leve sinal me chegou.
Tua insistência fez-me estremecer.
Tive que decidir sozinha o que fazer:
Olvidando essa luz que me cegou.

Esperar um pouco, e o amor preservar?
Nem Penélope por Ulisses o faria
Nos vinte anos de espera em agonia
Apenas tendo o filho p’ra cuidar.

Como queres, meu amor, o meu amor,
Se eu não tenho amor para te dar…?
O sonho era bonito, p’ra sonhar…
Mas nada mais do que isso, meu amor!

Mariazita
19.02.2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

DIA DE ANIVERSÁRIO


Hoje festejo o meu nono (9º.) aniversário.
Começo por vos oferecer esta prenda.




Aniversário
No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus! o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas
lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais  copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas o resto na sombra debaixo do alçado —
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...


Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
15/10/1929
 Foi-se mais um ano!
Apesar de algumas dificuldades e obstáculos, comuns ao mais comum dos mortais, consegui a energia necessária para vencer mais um, e assim perfazer 9 anos de vida.
Na caminhada foram-se perdendo alguns amigos, uns quantos neurónios e alguns cabelos J, amores e desamores, e cores, memórias,  alegrias e ilusões, tristezas e certezas, até verdades que pareciam indiscutíveis…
Sonhos, planos, alguns realizados outros ainda por realizar, foram acontecendo à medida que os dias iam passando…
Dias de entusiasmo, dias de coragem e de convite à luta, na tentativa de conseguir algo novo e diferente…
Pensamentos como pássaro que pousa e logo voa, e quando nos apercebemos já partiu para não mais voltar…

Viver e desfrutar intensamente, por vezes com paixão e sem medo nem culpa de sentir prazer, sem preconceitos ou falsos pudores, criar e recriar a vida, expor os seus amores, sorrir e brincar, por vezes chorar…

Assim é a vida da(o) blogueira(o), assim são as actividades dum blogue.
Assim percorri os últimos nove anos nesta “CASA” que é vossa, pois só com o vosso apoio foi possível chegar até aqui.

A todos um grande
BEM HAJAM!

A minha querida Amiga Lindalva ofereceu-me este miminho que partilho convosco.
 Obrigada, Amiga Lindalva

.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

DIA DE REIS


Hoje, dia 6 de Janeiro, é DIA DE REIS, o dia em que se comemora a chegada dos Reis Magos ao Presépio, que ali foram para adorar o Menino, levando-Lhe, como oferendas, ouro, incenso e mirra – assim reza a História. 
 É neste dia que, “oficialmente” se encerram os festejos natalícios. 
À laia de despedida… (das Festas Natalícias) partilho convosco este “presente” que me foi enviado por um querido amigo brasileiro. 
Espero que gostem tanto como eu apreciei. 
 Um feliz 2017 para todos.

EU NÃO GOSTO DE VOCÊ PAPAI NOEL
 Não gosto de você Papai Noel! 
 Também não gosto desse seu papel de vender ilusões à burguesia. Se os garotos humildes da cidade soubessem do seu ódio à humildade jogavam pedras nessa fantasia. 
Você talvez nem se recorde mais! 
Cresci depressa e me tornei rapaz, sem esquecer no entanto o que passou... 
 Fiz um bilhete pedindo um presente, e a noite inteira eu esperei contente... 
 Chegou o sol, e você não chegou. 
 Dias depois meu pobre pai, cansado, trouxe um trenzinho velho, enferrujado, que me entregou com certa hesitação. Fechou os olhos e balbuciou: 
- É pra você. Papai Noel mandou! - E se esquivou, contendo a emoção. 
 Alegre e inocente nesse caso, eu pensei que meu bilhete, com atraso, chegara em suas mãos no fim do mês. 
 Limpei o trem, dei corda, ele partiu, deu muitas voltas... E meu pai sorriu e me abraçou pela última vez.  
O resto só eu pude compreender quando cresci e comecei a ver todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse a medo: 
- Onde é que está aquele seu brinquedo? Eu vou trocar por outro na cidade. 
 Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar. E como quem não quer abandonar um mimo, que lhe deu quem me quer bem, eu disse medroso: 
 -Ah, eu só queria ele! Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele, e por favor não vá levar meu trem. 
Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que, eu ainda creio, tão puro e santo só Jesus chorou. 
Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou, ele não deu ouvidos, saiu correndo e nunca mais voltou... 
Você! Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou, sem pai e sem brinquedos. Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre para riqueza do menino pobre, que sonha o ano inteiro com o Natal! 
 Meu pobre pai, doente, mal vestido, pra não me ver assim desiludido, comprou por qualquer preço uma ilusão... 
 Num gesto nobre, humano, decisivo, foi longe pra trazer-me lenitivo, roubando o trem do filho do patrão! 
 Pensei que viajara. No entanto, depois de grande, minha mãe, em pranto, contou que fora preso. 
 E, como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia. 
 Foi definhando até que Deus, um dia, entrou na cela e o libertou pro céu. 
(ALDEMAR PAIVA) 

 Aldemar Buarque de Paiva (Maceió, 20 de Julho de 1925- Recife, 04 de Novembro de 2014) foi um poeta, cordelista, radialista, jornalista, compositor, produtor artístico e publicitário brasileiro.
Foi o fundador da Rádio Difusora de Alagoas.
 Oficial do Exército, foi transferido para o Recife, actuando inicialmente na Rádio Clube de Pernambuco, em substituição a Chico Anísio como produtor, apresentador e director artístico.

Informação: Wiquipédia

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

DIA DE NATAL

PARA OUVIR CLIC SOBRE A IMAGEM



Dia de Natal

Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
De falar e de ouvir com mavioso tom,
De abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros – coitadinhos – nos que padecem,
De lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
De perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
De meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
Como se de anjos fosse,
Numa toada doce,
De violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.
E mal se extinguem os clamores plangentes,
A voz do locutor
Anuncia o melhor dos detergentes.
De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
E as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa excelência verificou a hora exacta - em que o Menino Jesus nasceu?)
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente acotovela, se multiplica em gestos esfuziantes,
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
E fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
Com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
Cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
As belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
Ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
E como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
Como se o Céu olhasse para nós… e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
E compra – louvado seja o Senhor! – o que nunca tinha pensado comprar.
Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
A sua comoção é tanta, tanta, tanta,
Que nem dorme serena.
Cada menino abre um olhinho
Na noite incerta
Para ver se a aurora já está desperta.
De manhãzinha
Salta da cama,
Corre à cozinha em pijama.
Ah!!!!!!

Na branda macieza
Da matutina luz
Aguarda-o a surpresa
Do Menino Jesus.

Jesus,
O doce Jesus,
O mesmo que nasceu na manjedoura,
Veio pôr no sapatinho
Do Pedrinho
Uma metralhadora.

Que alegria
Reinou naquela casa em todo o santo dia!
O Pedrinho, estrategicamente escondido atrás das portas,
Fuzilava tudo com devastadoras rajadas
E obrigava as criadas
A caírem no chão como se fossem mortas:
tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá-tá.
Já está!
E fazia-as erguer para de novo matá-las.
E até mesmo a mamã e o sisudo papá
Fingiam
Que caíam
Crivados de balas.

Dia de Confraternização Universal,


Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
De Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

António Gedeão, in 'Antologia Poética'

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

CONTO DE NATAL DO FUTURO


NATAL DE 2085
O calendário indica-nos que o ano de 2085 estás prestes a terminar.

Embora cada um deles pudesse, individualmente, ver o seu canal preferido, controlável por ondas cerebrais captadas nos auscultadores, bisavô e bisneto estavam, naquele momento, assistindo ao mesmo programa, no mesmo écran.
A sala é muito agradável, com todos os requisitos modernos, desde carpetes com auto-limpeza, o que lhes permite terem sempre os tapetes impecavelmente limpos, até à lareira que esfria ao toque, o que evita acidentes indesejáveis, como queimaduras.
Os sofás de módulos facilitam a sua arrumação e permitem-lhes estar lado a lado, como agora, ou afastados, se assim o desejarem, como, por exemplo, quando estão a ver programas diferentes.
Quando o programa terminou, Ícaro, o bisneto, disse para o bisavô, Marco:
- Então, Bi, este ano não vais ver os festejos da reserva? Olha que hoje é dia 24 de
  Dezembro…
- E e eu podia lá faltar, meu querido? É o único evento a que nunca dexei de assistir
  desde a sua   inauguração e ao qual tenciono não faltar enquanto tiver forças para me
  deslocar.
  E tu, Ícaro, queres acompanhar-me?
- Claro que sim, Bi. Eu também nunca deixei de ir desde que me levaste lá a primeira
  vez…
- Então vai-te preparar porque temos que nos pôr a caminho. Olha, e não te esqueças
  de avisar a tua prima, a Ísis, porque ela disse-me que também queria ir…
- Ok, Bi. Vou já dizer-lhe para preparar a mochila e, claro, “não esquecer os abafos
  porque à noite arrefece” – acrescentou, brincalhão, imitando a voz do bisavô.
Apesar dos seus cento e cinco anos a memória de Marco continua perfeita, embora de vez em quando vá tendo alguns esquecimentos – “onde terei posto os óculos? “, “o que vinha aqui fazer?”, “será que já tomei os medicamentos” e coisas deste género. Mas recorda muito bem o que se passou quando era jovem, e todas as transformações que a Natureza foi sofrendo ao longo dos anos.
Quando tinha 30/31 anos, recorda ele, o planeta começou a aquecer desmesuradamente. Lembra-se bem das notícias que ouvia de que, nos últimos 17 ou 18 meses, não podia precisar, tinham sido batidos, todos os meses, os recordes máximos de temperatura média global.
As alterações climatéricas continuaram a ocorrer a um ritmo assustador, mas não foram tomadas medidas eficazes para evitar uma catástrofe.
Cimeiras e acordos realizados resultaram em fracassos sucessivos, pois os países desrespeitavam todas as decisões aí tomadas, contribuindo para o aumento consecutivo da poluição atmosférica.
As guerras infindáveis tinham contribuído também, em grande parte, para a desertificação do Planeta.
A falta de políticas ambientais levou a que o Planeta Terra se tornasse no lugar inóspito e quase sem vida que Marco, com desgosto, descortinava para além das largas janelas da sua sala.
No jardim do condomínio onde vivem há relva artificial fazendo desenhos exóticos, perfeitamente simétricos.
Vêem-se alguns vasos com plantas naturais que, diariamente,  são mudados, trocados por outros mantidos em estufas, já que a poluição atmosférica é tão elevada que não permite que as delicadas plantas verdadeiras possam ficar expostas ao ar por mais de vinte e quatro horas.
É também em estufas que são criados os poucos alimentos naturais a que só os mais favorecidos têm acesso. A restante população alimenta-se de produtos sintéticos, produzidos  em laboratórios.
Enquanto espera pelos bisnetos Marco senta-se, pega no comando interactivo e dirije-o para as cortinas. Estas têm espessura dinâmica para permitir a alteração do nível de iluminação, assim como a exibição de imagens. Escurece a sala, e faz projectar nos cortimados fotos de tempos passados, de quando era jovem, de praias de areia branca e resplandecente, e do mar no seu constante movimento.
Com grande algazarra Ísis e Ícaro entram na sala interrompendo-lhe os nostálgicos pensamentos. Trazem às costas as suas mochilas e vêm radiantes.
- Lembraram-se de trazer os vossos cartões? Não estejam à espera de que eu pague
  as vossas despesas… - disse Marco, olhando para os bisnetos, enternecido.
- Claro que sim, Bi. Nós não somos como tu, que te esqueces de onde pões os óculos – 
  respondem alegremente.
Descem o supersónico elevador e vinte segundos depois encontram-se no rés do chão. Caminham rapidamente para o aeromobil que Marco já comandara para sair da garagem e os aguardava à porta de casa.
Chegados à reserva introduzem os cartões no local próprio para abrir o enorme portão.
Respiram fundo, felizes, preparados para viver os momentos mais emocionantes de que têm memória.
A reserva é uma vasta área, semelhante a uma vila dos anos passados. Ruas alcatroadas onde circulam veículos que, aos bisnetos, parecem pré-históricos, mas que não têm mais de cem anos. As ruas encontram-se todas iluminadas. Ouve-se no ar uma suave música natalícia.
Marco respira fundo, emocionado como sempre que aqui vem. Ísis e Ícaro olham para tudo com espanto – têm apenas nove anos, Ísis, e oito anos, Ícaro, e já não se lembram bem do que viram no ano anterior.
Vão caminhando lentamente, apreciando as luzinhas que, brilhando, envolvem as casas, donde se escapam os odores dos cozinhados que lá dentro se estão preparando para mais logo. De quando em quando deparam-se com pequenas árvores de Natal, artificiais, às portas de algumas casas, enfeitadas com bolas brilhantes e vários enfeites, como pequenos pais natais nos seus trenós, passarinhos em ninhos, laços e pingentes de vidro, e por cima flocos de neve artificial.
Pelas ruas veêm-se vários turistas, que se distinguem dos habitantes da reserva pelas suas vestes modernas e de mochilas às costas. Todos tencionam ali pernoitar.
A noite vai descendo e Marco, Ísis e Ícaro vão-se encaminhando para o grande largo onde se encontra a sala comunitária.
Passados alguns momentos abre-se a grande porta da sala, onde os turistas se apressam a entrar, depois de terem passado os cartões na máquina que lhes fornece o talão que lhes vai permitir tomar parte no repasto.
Ao centro da sala pode ver-se uma enorme árvores natural, profusamente iluminada com miríades de luzinhas de todas as cores, e todos os enfeites que os moradores da reserva foram acumulando ao longo dos anos.
Durante o ano esta árvore é mantida dentro duma enorme estufa, onde se cultivam também árvores de fruto. Além desta, há outras estufas para o cultivo de vegetais de que se alimentam os moradores da reserva. Estes são autosuficientes; vivem dos produtos que cultivam nas estufas, ovos das galinhas que criam nos quintais, e carne de animais domésticos. Peixe não é ali consumido há largos anos pois o rio, a que eles podem ter acesso, tem a água de tal modo poluída que nenhum ser vivo ali sobrevive.
Ao fundo da sala uma lareira com troncos ardentes confere-lhe um ambiente extremamente acolhedor.
Junto à árvore de Natal encontra-se uma mesa oval onde irão acomodar-se o pároco e os maiorais da reserva. Dos lados da sala há mesas redondas às quais se vão sentar os comensais que costumam ser cerca de quinhentos – quatrocentos habitantes da reserva e aproximadamente cem turistas.
Marco, Isis e Ícaro sentam-se à mesa cujo número está indicado no talão retirado à entrada. Em breve juntam-se-lhes mais sete pessoas, perfazendo um total de dez.
Enquanto esperam pelo grande momento do jantar de Natal entretêm-se petiscando pinhões e figos secos, nozes e passas, e apreciando a música natalícia que se escoa pelos altifalantes.
A dado momento entram na sala, que está praticamente cheia, o pároco e o chefe da reserva, seguidos das outras pessoas que vão ocupar a mesa oval. Depois de uma saudação dirigida aos presentes sentam-se à mesa.
Logo de seguida começa a ser servido o jantar.
Aparece em primeiro lugar o bacalhau fumegante, logo seguido de apetitosas batatas, grão de bico, ovos cozidos, feijão verde cortado bem fininho e com um aspecto delicioso, grelos e por fim as tão apetecidas couves. Em travessas mais pequenas é apresentado polvo cozido e ainda pasteis de bacalhau.
Aqui, na reserva, onde residem pessoas oriundas das mais diversas regiões, há sempre o cuidado de manter as tradições de cada um, cozinhando os alimentos que lhes recordam os saudosos tempos do passado.
Em cada mesa estão colocados o azeite, o vinagre, o sal e a pimenta; em jarros, o precioso vinho fabricado lá mesmo na reserva e sumos naturais para os mais pequenos.
Porque se trata de um jantar de família, da grande família que é a população da reserva, embora possam assistir convidados, todos aguardam o sinal para iniciar a refeição, sinal que é dado pelo pároco ao fazer uma breve oração de agradecimento pelos alimentos que têm à sua disposição.
É com grande prazer que o jantar começa, e aqui e ali ouvem-se rasgados elogios especialmente da parte dos convidados, pouco habituados a alimentos naturais.
Logo que todos terminam começam a ser servidos os doces, cujo aroma a canela e limão enche o recinto. São travessas a abarrotar de rabanadas, aletria, arroz doce, formigos e os indispensáveis bolinhos de jerimú. Tudo isto acompanhado por excelente vinho do Porto.
Comendo e conversando, a refeição arrasta-se em alegre convívio.
Cerca das onze horas aparece um grupo coral junto à lareira que começa a entoar canções natalicias, o que contribui ainda mais para dar àquele jantar o verdadeiro espírito de Natal.
Bem perto da meia noite o pároco retira-se e alguns minutos depois ouve-se o sino da igreja, chamando os fiéis para a missa do galo.
Os que desejam assistir à missa, que são a maioria, dirigem-se para a igreja. Marco, Ísis e Ícaro encontram-se entre eles.
No final, ao sair da igreja, Marco encontra um velho conhecido e amigo dos seus tempos de juventude, que vive na reserva. Cumprimentam-se com um forte abraço – já não se viam há um ano – e Marco comenta:
- É impressão minha ou a população não aumentou do ano passado para cá?...
- Não é impressão, é mesmo verdade. Como já te disse a população mantém-se sem
grandes oscilações numéricas porque a natalidade é perfeitamente controlada e respeitada por todos. Nem poderia ser doutra maneira, a reserva tem espaço limitado…
- Já me tinhas dito, sim. E a respeito do bacalhau e do polvo… pelos vistos continuam  
  a conseguir arranjá-lo…
- Conseguimos, mas cada ano que passa se torna mais difícil e mais caro. A reserva
que o conserva congelado há quase cem anos cada vez faz mais restrições porque
o stock está a diminuir, como é lógico, e eles valem-se disso para aumentar os pre-
ços que já são exorbitantes…
Lá chegará o tempo em que teremos que comer galinha no jantar de Natal…
- Que isso não aconteça enquanto eu for vivo, pelo menos – retorquiu Marco.
Baixando a voz para que os bisnetos não o ouçam, Marco pergunta:
- E aquele problema que me relataste o ano passado, acerca dos islâmicos que queriam
  infiltra-se… voltou a acontecer?
- Felizmente não, o que não admira, depois da recepção que demos aos anteriores…
- Ainda bem, não fazem cá falta nenhuma – respondeu Marco.
Continuando o seu caminho dirigem-se à sala comunitária, donde entretanto  foram retiradas as comidas. Com eles estão quase todos os turistas que assistiram ao jantar.
Das mochilas retiram colchões que se enchem automaticamente ao puxar de um cordão; enfiam-se nos sacos cama e deitam-se quase tão confortavelmente como se estivessem em casa, nos seus quartos. Ísis e Ícaro não adormecem facilmente, tal é o seu estado de excitação devido aos últimos acontecimentos.
Levantam-se cedo e depois de tomarem o pequeno almoço num café próximo da sala comunitária, voltam a percorrer as ruas enfeitadas, agora com as luzinhas apagadas, cruzando-se com uma ou outra pessoa, geralmente turistas que, como eles, aproveitam para passear. A felicidade que sentem por ali estarem é tão grande que até o ar lhes parece menos poluído do que fora da reserva. Nem têm necessidade de usar as máscaras que frequentemente utilizam no mundo onde vivem.
Não se apercebem da passagem das horas, mas em breve soa a sineta avisando que a sala comunitária vai abrir e quem quiser pode ali dirigir-se para participar do almoço de Natal.
Todos se dirigem para lá, repetindo o ritual da noite anterior.
Em breve a sala é invadida pelos odores das carnes assadas, galinha, perú e leitão, das batatinhas assadas e da fresca salada variada.
E como não poderia deixar de ser, findos os salgados segue-se a quantidade infindável de doces, como na noite anterior, acrescida de variados pudins.
Marco, Ísis e Ícaro terminam a refeição alegremente, e já a tarde vai avançada quando, com bastante pena, abandonam a reserva e regressam ao seu modermo apartamento, onde não encontram o mais leve vestígio de Natal.

No dia seguinte, ao acordarem, Ísis e Ícaro ficam a pensar se tudo não passou de um lindo sonho…